quinta-feira, 30 de março de 2017

Que a mente se lembraria, eu tinha certeza. Coisas como essa, dias como este, momentos assim, são fáceis de se lembrar. O tremor das mãos, o coração acelerado, o pensamento confuso e o gaguejar ao se dizer aquelas três letras. "Sim". Um sim pra uma pergunta que talvez nem tivesse sido completamente entendida, um sim desesperado, mas certo. Para tudo que fosse proposto, por se ter a certeza de que "tudo ficaria bem". Tudo estava bem.

O que não era de se esperar era que o corpo lembrasse, sentisse, repetisse. Como se cada pedaço meu, lembrasse cada toque seu. Como se cada parte se sentisse abraçada, segurada no peito. Como se a cintura sentisse o aperto e um coração sentisse o outro, até que as batidas se sincronizassem e fosse possível perceber: estava tudo bem.

Estava, foi, sentiu, lembrou, passou.

Tudo que foi, já não é. Tudo que poderia ter sido, não será. O que se tem é a memória, a lembrança, a vivência e a certeza de que nunca será como um dia já foi.

Foi, sentiu, lembrou, passou, estava.

Todo sentimento está ali, mas já não anda sozinho. Toda paixão, carinho, amor e saudade se misturam, hoje, à tristeza, raiva, decepção.

Sentiu, lembrou, passou, estava, foi.

Tudo que resta são lembranças, lembranças boas, momentos bons, saudades incomparáveis, imaginações. Sentimentos e emoções que expressam uma única coisa.

Passou.

Não passou, mas vai passar, tudo na vida passa. Passa o que queremos, podemos, precisamos. Não se sabe ao certo onde seremos levados. Sabemos. Que dia 30, sempre será dia 30.
Sabemos que este dia 30 acabou, mas tantos outros virão. Serão, sentiremos, lembremos, talvez não estaremos.
Não passou.

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