sábado, 6 de agosto de 2016

Precisamos falar sobre o jovem do século 21

 Não é segredo para ninguém o que acontece em nosso país nos dias de hoje, mas pouco discute-se sobre os efeitos que isso acarreta na vida do adolescente, do jovem adulto, do chamado "futuro do país". Já se perguntaram como estes são tratados? Porque afinal de contas, os jovens de hoje não estão preocupados com nada, só querem curtição, viajar, sair, paquerar, aproveitar a vida. Não se envolvem com problemas reais, não sabem nada sobre política, não levam a escola a sério, não pensam no futuro. Quando surge um assunto a respeito da política em uma roda e "o futuro do país" tenta opinar, logo é reprimido com um "você é jovem demais, não sabe o que está falando", ignoram completamente a capacidade que eles têm.
 Pois a realidade está aí para os mesmos, acordam às 6 da manhã, correm para o colégio, saem à tarde, correm para o trabalho, no intervalo, fazem as inúmeras tarefas cobradas pelo colégio. A alimentação? Ah, faz um lanche rápido porque você tem um prazo curto demais para se preocupar com isso agora. Cai a noite, corre para o cursinho, afinal de contas no fim do ano tem ENEM e se você pretende cursar um ensino superior público, somente o ensino da escola não será suficiente, já que este está precário e não atende suas necessidades, mas este é um assuno o qual podemos tratar depois. Então você chega em casa e vai terminar mais algumas tarefas para amanhã, nada demais, uma vez que você precisa se formar, precisa fazer uma faculdade, precisa construir sua carreira, consolidá-la e ganhar dinheiro, porque se não for assim a sociedade vai te dizer que você fracassou.
 Hora de dormir, você finalmente põe a cabeça no travesseiro e vai descansar, certo? ERRADO, quem disse que você consegue? A cabeça continua a mil por hora, é insônia, é dor no estômago (lembra daquele lanche rápido né? Foi a sétima vez só essa semana) o cérebro não descansa, são mil e um pensamentos, são contas à pagar, é escola, são os amigos, são seus planos para o futuro, é a sua família, seu namorado, é aquele dever que você queria adiantar mas não conseguiu, é aquele livro que você tanto queria ler, mas infelizmente não tem tempo. Ok, vamos à farmácia, um omeprazol resolve os problemas gástricos, talvez um calmantezinho para dormir também funcione, mas e como lidar com a ansiedade do dia de amanhã?
 A sua mente te diz constantemente que não dá mais, mas você é jovem, não tem problemas de verdade para resolver é apenas drama, é apenas preguiça, coisa de quem não tem responsabilidade. Quando você percebe que entrou em um modo automático e vê que não consegue ficar um só minuto sem se preocupar com mil coisas, resolve procurar um médico, que provavelmente vai te dizer que o seu problema é a ansiedade e vai resolvê-lo com um ansiolítico, coisa rápida.
 O jovem do século XXI, visto como aquele que não pensa no futuro, o irresponsável, o que não sabe nada da vida fora do facebook, está cada dia mais à mercê de consultórios médicos, problemas emocionais e psicológicos, com a saúde às traças e a mente completamente entulhada.
 O futuro do país está em seis horas de sono, xícaras e mais xícaras de café, mas principalmente em caixas de omeprazol, de fluoxetina ou de qualquer outro ansiolítico/antidepressivo.

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